Blog da KarlaComunicação e AtualidadesApós compra por R$ 170 milhões, Carmelo Fior prepara operação em Urussanga
Antiga unidade da Dexco deve voltar à atividade sob novo comando, com expectativa de geração de empregos e fortalecimento do polo cerâmico regional

A antiga fábrica da Dexco em Urussanga deve ganhar uma nova fase com a chegada da Cerâmica Carmelo Fior. A empresa, que adquiriu a unidade industrial por R$ 170 milhões, prepara a implantação da Carmelo Fior Porcelanato no município e projeta uma capacidade inicial de produção de 700 mil metros quadrados de revestimentos cerâmicos por mês — o equivalente a 8,4 milhões de metros quadrados por ano.
Antes de iniciar as atividades, no entanto, a negociação ainda precisa passar pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar operações empresariais que possam produzir efeitos sobre a concorrência.
A aquisição envolve o terreno e parte dos equipamentos da antiga planta da Dexco. A empresa paulista pretende iniciar as operações assim que forem concluídas as etapas necessárias para efetivação do negócio.
Expansão em Santa Catarina
A instalação em Urussanga faz parte da estratégia de expansão da Carmelo Fior em Santa Catarina. A companhia já está presente no Sul do estado por meio da Pisoforte, em Criciúma, e considera a nova fábrica estratégica para ampliar sua atuação em um dos principais polos cerâmicos brasileiros.
Fundada em 1941, a Carmelo Fior possui cinco unidades produtivas e capacidade de produção superior a 10 milhões de metros quadrados por mês. A empresa emprega mais de 1,5 mil pessoas, mantém mais de 9 mil clientes ativos e exporta para mais de 60 países.
Para o diretor-geral da companhia, Eduardo Roncoroni Fior, a tradição da região no setor foi um dos fatores considerados na decisão de investir no município.
“Estamos contando os dias para iniciar as atividades nesta unidade e com expectativa muito positiva para Urussanga, que possui uma localização estratégica em uma região de forte tradição cerâmica. Temos um planejamento de longo prazo para fortalecer a nossa presença e contribuir com o desenvolvimento regional”, afirmou.
Expectativa de retomada dos empregos
A chegada da Carmelo Fior ocorre poucos meses após o encerramento das atividades da Dexco na unidade de Urussanga. A desativação da fábrica foi anunciada em maio e resultou no desligamento de mais de 150 trabalhadores, enquanto parte dos funcionários foi transferida para a unidade da companhia em Criciúma.
Na ocasião, a Dexco justificou a decisão como parte de uma reorganização de suas operações de revestimentos. A produção passou a ser concentrada nas unidades de Criciúma e Botucatu (SP), com o objetivo de melhorar o aproveitamento da capacidade instalada e aumentar a eficiência operacional.
A fábrica de Urussanga permaneceu disponível para negociação até a confirmação da venda à Carmelo Fior. O negócio foi anunciado no início de agosto pelo valor de R$ 170 milhões.
Com a perspectiva de reativação da planta, a expectativa agora se volta para a recuperação de postos de trabalho e para os reflexos da operação sobre a cadeia produtiva da cerâmica no município e na região.
O Sindicato das Indústrias de Cerâmica para Construção e de Olaria de Criciúma (Sindiceram) avaliou positivamente a negociação, apontando a retomada da fábrica como uma possibilidade de recuperar empregos e fortalecer o setor cerâmico do Sul catarinense.
Município vê oportunidade de movimentar a economia
A Prefeitura de Urussanga também avalia a instalação da Carmelo Fior como uma oportunidade para geração de empregos, circulação de renda e fortalecimento da atividade industrial.
A prefeita Stela Talamini destacou a expectativa em relação ao novo empreendimento.
“A chegada de uma empresa desse porte traz uma nova perspectiva para a cidade e contribui para a geração de empregos e renda. Urussanga é terra de oportunidades e de qualidade de vida”, afirmou.
Além do impacto direto da fábrica, a retomada de uma operação desse porte pode movimentar fornecedores e serviços relacionados à cadeia cerâmica, setor historicamente importante para a economia do Sul de Santa Catarina.
A data para o início efetivo da produção ainda depende da conclusão da operação e do aval do Cade. A Carmelo Fior afirma que pretende iniciar as atividades assim que as etapas necessárias forem cumpridas.





