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CRÍTICA | A Odisseia

ODISSEIA
Créditos: Matt Damon em 'A Odisseia' / Crédito: Divulgação/Universal Pictures

Um grande debate cultural e filosófico parte dos porquês. Assim, por que não começar falando de uma das primeiras e mais influentes obras poéticas de Homero: A Odisseia. Atualmente, adaptada para a sétima arte, ela acende o debate entre literatura e cinema, levando a uma verdadeira disputa troiana, pois resgata aqueles comentários clássicos sobre qual é melhor ou mais importante.

 Como leitor, vou deixar algumas coisas expressas aqui. Primeiramente, é importante ressaltar que a leitura da obra em versos é extremamente complexa e desafiadora. Já encontrei vários colegas dizendo que compreenderam tudo e que o texto é "tranquilo de ler". Especificamente falando, é muito difícil compreender tal obra partindo do zero. O entendimento de um texto tão complexo depende de vários fatores, desde a compreensão dos deuses, da mitologia de modo geral, dos heróis e dos personagens que integram o texto. Além disso, estamos falando de um poema épico. Então, devo desistir da leitura? Não, você deve ler, sim!

Um poema épico é uma narrativa muito longa, escrita em versos, que normalmente relata os feitos extraordinários de um herói ou de um povo. De modo geral, o texto épico busca abordar temas como guerra, viagens, fundação de nações, destino, exploração e, em muitos momentos, tudo é repleto da intervenção divina, que pode auxiliar o herói ou atrapalhar sua jornada. Sua complexidade está na linguagem poética elaborada (algo que o cinema dificilmente consegue reproduzir com a mesma intensidade, pois poderia afastar os espectadores em virtude da dificuldade de compreensão), na estrutura narrativa ampla, na riqueza de símbolos e, principalmente, na exploração de questões universais sobre a condição humana. Deste modo, ler um poema épico é melhorar seu vocabulário e viajar para um mundo de místico.

 Ao mergulhar no mundo de Homero, em A Odisseia tem-se a jornada de Odisseu após a Guerra de Troia. Durante dez anos, o herói enfrentou monstros, tempestades e a ira do deus Poseidon em sua longa viagem de volta a Ítaca. Ao longo do caminho, derrotou e enfrentou seres como o Ciclope Polifemo, resistiu ao canto das Sereias, escapou de Cila e Caríbdis e permaneceu preso por Calipso. Quando finalmente retornou, disfarçou-se de mendigo, reencontrando o filho Telêmaco e seu fiel cão Argos. Caso você, leitor, tenha um tempinho, procure o quadro de Francesco Hayez (1791–1882), The Recognition of Ulysses by Argus, inspirado no emocionante reencontro entre Odisseu e seu fiel cão Argos em A Odisseia. Isso vai colaborar ainda mais para a riqueza da experiência de ler esta fabulosa obra.