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Derrota histórica da CDU amplia pressão sobre chanceler alemão Friedrich Merz

Partido do chanceler teve seu pior resultado estadual desde a Segunda Guerra Mundial, enquanto AfD avançou no leste do país; apesar da crise, Merz afirma que permanecerá no cargo e manterá agenda de reformas.

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Créditos: Após a divulgação dos resultados, Merz afirmou que a confiança nas instituições do país está diminuindo e vem sendo ativamente enfraquecida por partidos radicais tanto de esquerda quanto de direita. /Foto: Hannibal Hanschke/EPA

O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou neste domingo (20) que pretende permanecer no cargo mesmo após uma nova sequência de derrotas eleitorais aumentar a pressão sobre seu governo e sua liderança na União Democrata Cristã (CDU).

As eleições estaduais realizadas em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim representaram mais um revés para o partido do chanceler. O resultado mais expressivo ocorreu no primeiro estado, no nordeste da Alemanha, onde a CDU recebeu cerca de 5% dos votos, seu pior desempenho em uma eleição estadual desde a Segunda Guerra Mundial.

Merz classificou o resultado como um “desastre”, mas rejeitou a possibilidade de abandonar o governo. O chanceler afirmou que pretende continuar conduzindo as reformas previstas por sua administração, argumentando que os problemas econômicos e políticos enfrentados pelo país tornam as mudanças ainda mais necessárias.

AfD avança no leste alemão

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou cerca de 38% dos votos, ficando à frente do Partido Social-Democrata (SPD), que obteve aproximadamente 35%.

O desempenho confirma o crescimento da AfD sobretudo nos estados do leste alemão. O partido já havia conseguido, no início de setembro, um resultado expressivo na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, episódio que aumentou os questionamentos sobre a capacidade da CDU de recuperar parte de seu eleitorado.

Apesar do avanço eleitoral, a AfD enfrenta dificuldades para chegar ao governo em diferentes estados porque os demais grandes partidos alemães mantêm a política de não formar coalizões com a legenda.

O crescimento da sigla, no entanto, vem alterando o equilíbrio político alemão e impondo desafios aos partidos tradicionais.

CDU também perde espaço em Berlim

A segunda derrota do dia ocorreu na capital alemã. Em Berlim, a CDU perdeu a liderança e ficou com cerca de 19% dos votos.

O partido Die Linke (A Esquerda) terminou a eleição na primeira colocação, com aproximadamente 25%. A AfD também ampliou sua presença na capital e alcançou cerca de 16%.

Os resultados nos dois estados mostram movimentos distintos do eleitorado alemão. Enquanto a AfD registra seus maiores avanços principalmente no leste do país, a esquerda conquistou espaço significativo em Berlim.

Pressão sobre Merz já vinha crescendo

As derrotas deste domingo ocorrem em um momento de desgaste político do chanceler.

Merz assumiu o governo alemão em 2025 e enfrenta dificuldades para implementar parte de sua agenda econômica. Entre as propostas defendidas estão mudanças tributárias, previdenciárias e no sistema de saúde, além da redução da burocracia.

O chanceler argumenta que as reformas são necessárias para recuperar a competitividade da maior economia da Europa, mas algumas das medidas enfrentam resistência política e social.

Nos últimos dias, as discussões sobre sua liderança ganharam espaço dentro da própria CDU. Antes mesmo das eleições deste domingo, Merz havia reafirmado que pretendia permanecer no cargo durante todo o mandato.

A pressão chegou a interferir em sua agenda internacional. Na semana anterior às eleições, Merz cancelou uma viagem prevista a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, permanecendo na Alemanha em meio às discussões internas de seu partido.

Governo mantém estratégia de reformas

Mesmo diante dos resultados eleitorais, Merz indicou que não pretende promover uma mudança ampla de rumo.

O chanceler sustenta que questões como crescimento econômico, previdência, saúde, tributação e redução da burocracia precisam continuar no centro da agenda do governo, ainda que algumas medidas sejam impopulares.

A estratégia também representa uma tentativa de recuperar espaço político diante do crescimento da AfD, atualmente a principal força de oposição no cenário nacional.

O desafio para Merz agora será conciliar a execução dessas reformas com a necessidade de reconstruir apoio dentro da CDU e conter as disputas internas provocadas pela sequência de derrotas eleitorais.

Os resultados deste domingo ampliam, assim, uma crise que ultrapassa as disputas estaduais: colocam em discussão a liderança de Merz, a capacidade dos partidos tradicionais de responder ao crescimento da AfD e os rumos da política alemã nos próximos anos.