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EUA e Irã voltam à mesa: o que está em jogo nas novas negociações

Catar tenta reabrir caminho diplomático após Trump rejeitar proposta apresentada por Teerã; Estreito de Hormuz, programa nuclear e impacto da guerra sobre o petróleo estão entre os pontos centrais.

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Unsplash/Planet Volumes/UN News

Estados Unidos e Irã ensaiam uma nova tentativa de negociação para encerrar o conflito no Oriente Médio. Mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com representantes dos dois países nesta segunda (28) ou terça-feira (29), em uma tentativa de aproximar novamente Washington e Teerã.

As negociações devem partir de uma versão modificada da proposta de sete dias apresentada pelo Irã na semana passada, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, permanece na cidade e deve participar das conversas com os mediadores catarianos.

A iniciativa acontece depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a proposta iraniana para interromper os combates e reabrir o Estreito de Hormuz.

Mais do que negociar uma interrupção das hostilidades, as conversas colocam sobre a mesa questões que afetam diretamente a economia e a segurança internacionais.

Hormuz no centro das negociações

Um dos principais pontos é o Estreito de Hormuz, passagem marítima estratégica que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, consequentemente, às principais rotas internacionais.

A importância de Hormuz vai muito além do Oriente Médio. Uma parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente passa pela região.

Por isso, qualquer ameaça à navegação repercute rapidamente nos preços internacionais de energia.

Nesta segunda-feira, o petróleo voltou a subir cerca de 2% depois da rejeição americana à proposta iraniana. O movimento mostra como as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã estão diretamente relacionadas às expectativas do mercado internacional.

O efeito pode chegar também aos países que estão distantes do conflito. Petróleo mais caro significa aumento de custos de transporte e produção e pode alimentar pressões inflacionárias em diferentes economias.

E a questão nuclear?

O programa nuclear iraniano continua sendo outro elemento central da relação entre os dois países.

Durante anos, Estados Unidos e aliados pressionaram Teerã para limitar atividades que poderiam aproximar o país da capacidade necessária para produzir uma arma nuclear. O Irã, por sua vez, sustenta que seu programa tem objetivos civis.

A questão tornou-se ainda mais complexa depois da deterioração dos mecanismos diplomáticos construídos ao longo da última década.

Qualquer acordo mais amplo entre Washington e Teerã, portanto, tende a exigir algum entendimento sobre o futuro do programa nuclear iraniano, além de mecanismos de fiscalização e possíveis mudanças no regime de sanções.

Por que o Catar?

A presença do Catar como intermediário não é casual.

O país mantém relações com diferentes atores da região e tem desempenhado papel recorrente como mediador em crises internacionais. Isso permite que Doha mantenha canais de comunicação mesmo entre governos que não negociam diretamente.

Neste momento, não está prevista necessariamente uma reunião frente a frente entre americanos e iranianos. A estratégia é realizar conversas separadas, permitindo que os mediadores transmitam propostas e contrapropostas.

É uma diplomacia indireta, mas que mantém aberto um canal em meio ao conflito.

O que pode mudar?

A retomada das conversas não significa que um acordo esteja próximo.

A rejeição americana à proposta apresentada anteriormente pelo Irã mostra que ainda existem diferenças importantes entre as condições consideradas aceitáveis por Washington e Teerã.

Mesmo assim, a reabertura de um canal diplomático é acompanhada com atenção porque os efeitos ultrapassam as fronteiras dos dois países.

O resultado das negociações pode influenciar a segurança no Oriente Médio, a circulação marítima pelo Golfo Pérsico, o preço internacional do petróleo, a inflação e as relações do Irã com outras potências.

Por isso, enquanto Catar, Estados Unidos e Irã discutem uma possível saída para a guerra, o restante do mundo acompanha uma negociação que pode ter consequências muito além do Oriente Médio.

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