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Jorge Luis Borges e a Imortalidade

Se existe um autor que sabe criar dúvidas e inseguranças sobre as certezas da humanidade, este autor é o argentino Jorge Luis Borges.

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Créditos: Christopher Pillitz / Getty Images

Se existe um autor que sabe criar dúvidas e inseguranças sobre as certezas da humanidade, este autor é o argentino Jorge Luis Borges. Nome muito citado como um dos escritores mais importantes da literatura do século XX que preferiu dedicar-se aos contos, trouxe, possivelmente, alguns dos maiores e mais complexos temas da humanidade em sua escrita.

No texto do autor encontramos uma receita quase mística de literatura, filosofia, metafísica, história, imaginação e identidade. Sua produção literária questiona conceitos que parecem simples, como: tempo, memória, realidade, infinito e conhecimento.  Ler Borges é mergulhar em um rio de mentiras muito bem elaboradas. Seus textos são labirintos que obrigam o leitor a procurar nomes, números e pessoas para verificar constantemente sua veracidade. Desde enciclopédias fantásticas e cidades esquecidas até pessoas famosas, o leitor nunca sabe exatamente o que é real ou não.  Entre suas obras mais importantes estão duas que são leituras obrigatórias para conhecer o escritor: Ficções (Ficciones), publicada originalmente em 1944, e O Aleph (El Aleph), publicado originalmente em 1949.

Em Ficções, temos contos que apresentam situações aparentemente impossíveis para discutir questões profundas sobre a existência humana e os limites do conhecimento. Um dos exemplos mais conhecidos é “A Biblioteca de Babel”, que apresenta uma biblioteca infinita formada por todos os livros possíveis. Outro conto importante é “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, no qual um mundo imaginário começa a interferir na própria concepção de realidade. Já em “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam”, em uma mistura de mistério e investigação, Borges trabalha com a ideia de diferentes possibilidades do tempo e da existência.

Em O Aleph, publicado em 1949, Borges continua explorando questões sobre o ser humano e sua existência. Em meio a tantos contos, é difícil selecionar por qual começar, pois Borges aborda o desejo humano de conhecer e compreender a totalidade da existência em quase todas as suas tramas. A importância de Borges está justamente em sua capacidade de transformar ideias filosóficas complexas em histórias curtas, intrigantes e muitas vezes surpreendentes. Seus textos fazem o leitor desconfiar daquilo que considera realidade e perceber que o conhecimento humano possui limites. Borges também foi fundamental para a renovação da literatura fantástica, influenciando escritores de diferentes países e gerações.

Assim, Borges é uma leitura para quem está cansado de histórias que fazem sentido e, em muitos aspectos, são previsíveis. E acho que já falei demais; leia e depois me conte se o autor ficará imortalizado na sua memória. Afinal, como em “O Imortal”, um dos contos de O Aleph, talvez a verdadeira imortalidade não seja o que você realmente acredite.