Hânia GodoyImagem PolíticaMS | O Vazio que Grita
A Estratégia de Riedel e a Batalha de Imagem no Primeiro Debate de MS

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul nas Eleições 2026, realizado nesta segunda-feira (17) pelo portal Primeira Página e Rádio Morena FM, entregou muito mais do que propostas: entregou uma lição clássica de semiótica política. No centro do palco, uma ausência que pesou mais do que qualquer presença. O governador Eduardo Riedel (PP), líder nas pesquisas, optou por não comparecer, deixando sua cadeira vazia como o principal alvo da manhã.
Do ponto de vista da imagem, a decisão de Riedel é um movimento de preservação de ativo. Com números confortáveis nas pesquisas recentes (chegando a 54% em simulações de segundo turno), o atual gestor escolheu o silêncio estratégico para evitar se tornar o alvo coletivo em um momento em que a campanha ainda ganha tração. Contudo, o vácuo é sempre preenchido. A ausência de Riedel projetou a imagem de um candidato que se esquiva do confronto, permitindo que adversários explorassem a narrativa do "desrespeito ao eleitor".
João Henrique Catan, fiel ao seu estilo, foi quem melhor explorou a lacuna visual. Ao ser sorteado para perguntar justamente a Riedel e encontrar o espaço vazio, Catan utilizou o tempo para reforçar sua imagem de "outsider" e fiscalizador, transformando a cena da cadeira vazia em conteúdo viral imediato. Já Fábio Trad buscou uma imagem de sobriedade, tentando se posicionar como a voz da sensatez e do preparo técnico frente ao que chamou de "falta de diálogo" da atual gestão.
Por outro lado, Delcídio Amaral carrega o desafio de reconstruir sua imagem pública perante o eleitorado sul-mato-grossense. No debate, sua postura foi contida, buscando projetar a imagem de um "estadista experiente" que conhece os gargalos do Estado. Sem o principal adversário para confrontar, Delcídio evitou ataques raivosos e focou em temas como infraestrutura e agronegócio, tentando se reconectar com a base produtiva do MS.
Em um debate sem o favorito, a vitória de imagem não pertence necessariamente a quem falou melhor, mas a quem conseguiu capitalizar o "não-evento". Riedel preservou sua liderança numérica, mas pagou o preço simbólico da cadeira vazia. Para o eleitor atento, a imagem que fica deste 17 de agosto é a de um tabuleiro onde o grito mais alto veio, ironicamente, do silêncio de quem não compareceu.





