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Hânia GodoyImagem Política
POLÍTICAApurado

MS | Pragmatismo de Vitrine

O Custo e o Bônus na Imagem de Juliano Ferro e Vander Loubet

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Créditos: Correio do Estado.

No xadrez político de Mato Grosso do Sul para 2026, a aliança inusitada entre o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL) — o autoproclamado "prefeito mais louco do Brasil" —, e o deputado federal Vander Loubet (PT) para o Senado escancara a eterna tensão entre a rigidez ideológica e o pragmatismo administrativo. O movimento exige um delicado malabarismo de comunicação para ambos os lados.

Para Juliano Ferro, filiado a uma legenda umbilicalmente ligada ao bolsonarismo, o apoio a um nome histórico da esquerda estadual cobrou um preço imediato. Nas redes sociais, parte do eleitorado conservador de Ivinhema reagiu com surpresa e indignação, interpretando a decisão como uma quebra de pacto doutrinário. Para mitigar esse desgaste, Ferro aposta em sua alta popularidade e na narrativa da "gratidão institucional", argumentando que Loubet foi um parceiro essencial na liberação de recursos para o município. É o clássico dilema do popstar municipal: tentar convencer a base de que a entrega de obras e a captação de verbas superam as trincheiras partidárias nacionais.

Do lado de Vander Loubet, a chancela de uma liderança de direita e de forte penetração popular no interior representa um ativo tático valioso. O apoio de Ferro funciona como um amortecedor contra a rejeição que o campo progressista tradicionalmente enfrenta no eleitorado conservador do interior sul-mato-grossense, projetando Loubet como um articulador suprapartidário focado em resultados.

A aliança ilustra como o carisma digital e a ânsia por recursos tangíveis muitas vezes atropelam as barreiras da polarização nacional. Resta saber se o eleitorado conservador de Ivinhema aceitará a pílula do pragmatismo ou se a fatura dessa transversalidade será cobrada nas urnas.