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Thais BarbosaRelações Institucionais
POLÍTICAApurado

Reis em xeque em Brasília

lula alcolumbre
Créditos: Ricardo Stuckert / PR

Davi Alcolumbre e Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram três vezes em menos de um mês. Na última dessas conversas, nesta sexta-feira (14), o presidente do Senado anunciou o que a nota oficial chamou de "diálogo maduro, franco e republicano": o encaminhamento às comissões de três pautas caras ao Palácio do Planalto, o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Vale entender de onde partiu esse reencontro institucional.

Há poucos meses, Alcolumbre foi o autor de uma das derrotas mais simbólicas do governo Lula no Congresso. Articulou a rejeição, em plenário, da indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Não foi um desentendimento pontual. Foi o Senado dizendo não ao nome escolhido pelo próprio presidente da República para a mais alta corte do país, algo que não acontecia havia 132 anos. A última vez que o plenário havia rejeitado a indicação de um presidente para o STF tinha sido em 1894, no governo de Floriano Peixoto. O episódio aprofundou meses de convivência já desgastada: Alcolumbre e Lula nunca foram aliados naturais, vêm de campos políticos distintos e carregam um histórico de atritos que antecede em muito o caso Messias. O silêncio que se seguiu foi consequência, não surpresa.

A reaproximação só começou a ganhar forma por mediação de Alexandre de Moraes, um encontro articulado na casa do ministro. Daí em diante os encontros se desenrolaram, dois só nesta semana. Essa velocidade merece um olhar curioso sobre essa interação, porque nos bastidores dessa aproximação estão dois calendários eleitorais correndo em paralelo.

Alcolumbre visa assegurar o apoio da base de Lula à sua manutenção no comando do Senado em 2027. Numa eleição presidencial em aberto, construir pontes com Lula funciona como um seguro político. Se o petista sair vitorioso de um eventual quarto mandato, Alcolumbre já terá crédito acumulado para pedir apoio à própria permanência no comando da Casa.

Do outro lado da mesa, Lula tem pressa por outro motivo. As três pautas destravadas nesta sexta são promessas de campanha que o Planalto quer transformar em conquista concreta antes do primeiro turno. Não por acaso, o ministro Camilo Santana já vinha cobrando publicamente que o governo viabilizasse a análise dessas propostas o mais rápido possível e antes do pleito. Fim da 6x1, Ministério da Segurança Pública, terras raras: são bandeiras que valem tanto como vitrine de campanha quanto como texto ainda em tramitação.

É esse encontro de agendas, mais do que qualquer afinidade recém-descoberta, que explica por que dois nomes com uma relação estruturalmente tensa decidiram, a poucos meses da urna, que precisavam um do outro. Resta uma incógnita sobre quem, de fato, sai na frente nesse acordo. Alcolumbre garante fôlego para tentar a recondução, Lula ganha uma vitrine legislativa às vésperas do primeiro turno. Mas é de comum acordo que Brasília tem memória curta para desavenças quando o interesse aperta, mas cobra a conta assim que ele muda de lado.