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ES | A resposta de Pazolini veio pela direita

A vice indicada pelo PL fixa a chapa à direita e cobra o primeiro preço: o desembarque de um aliado

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Créditos: Divulgação/Instagram

A resposta veio pela direita

No fim da minha última análise sobre a candidatura de Lorenzo Pazolini, ficou uma pergunta em aberto: entre a direita que ele precisa herdar e o centro que não pode perder, para que lado a escolha do vice faria o equilíbrio pender? Nesta sexta-feira (14), véspera do fim do prazo de registro de candidaturas, veio a resposta, pela direita.

Pazolini anunciou como vice a policial militar da reserva Eliane Leal, a Bispa Eliane, pastora evangélica de Colatina, filiada ao PL e indicada diretamente pelo senador Magno Malta, presidente estadual do partido.

Não se trata de um nome de centro como aceno ao nicho de eleitores moderados que o elegeu duas vezes na capital. É um nome que aprofunda a guinada de Pazolini à direita.

A escolha que não foi dele

Os bastidores da definição, reconstituídos por colunistas capixabas, contam uma história que diz muito sobre a posição em que Pazolini se colocou.

A preferência do ex-prefeito era Lívia Vasconcelos (PSD), primeira-dama de Colatina, considerada a "vice dos sonhos". O plano só não vingou porque o PSD, depois de flertar com a coligação, anunciou neutralidade e seguiu em voo solo. Sem o nome preferido e com o prazo de registro se esgotando, Pazolini testou várias mulheres e, no fim, aceitou o nome que o PL lhe ofereceu.

Aqui está o custo concreto da estratégia que a análise anterior projetava apenas como risco. Quem precisa do espólio eleitoral de um aliado acaba tendo de deixar esse aliado escolher por ele.

A vice não é a tradução da vontade de Pazolini, mas a tradução do peso que o PL adquiriu dentro da sua candidatura. O senador Magno Malta, presidente estadual do partido, emplacou a filha, Maguinha Malta (PL), como candidata ao Senado, (ao que se relata) barrou Sérgio Meneguelli (PSD) como candidato a senador na mesma chapa (o que teria sido determinante para empurrar os pesedistas para a neutralidade) e ainda indicou a candidata a vice-governadora.

O preço apareceu na mesma noite

Se restava dúvida sobre o custo da adesão, ela se dissipou horas depois do anúncio. Ainda na noite de sexta (14), o Democrata anunciou que deixará a coligação.

O presidente estadual da legenda, Tenório Merlo, declarou à coluna Plenário, de A Tribuna, que "faltou consideração [com o partido]", reclamando de ter sido desprestigiado numa decisão tomada só entre Republicanos e PL.

Ou seja, o movimento que deveria consolidar a base de Pazolini começou, no mesmo dia, a rachá-la. A montagem da chapa foi revelando que cada peça encaixada desencaixava outra.

O espelho invertido de Ferraço

Ricardo Ferraço escalou um vice para buscar o que lhe faltava: um atleta jovem, de apelo popular, anunciado numa selfie na praia, na língua deliberadamente despolitizada do futebol. Um movimento de aproximação ao centro e ao eleitor comum.

Pazolini fez o inverso: escalou (ou aceitou) uma vice que aprofunda o que ele já vinha fazendo - a adesão à direita religiosa e bolsonarista.

Mas a escolha (ou aceite) serve também a um cálculo próprio de Pazolini. A chapa reúne dois agentes da segurança pública (um delegado licenciado da Polícia Civil e uma policial militar da reserva), e o Republicanos fez questão de destacar isso, sinalizando que a segurança comporá o eixo central da campanha.

Nesse sentido, Eliane não serve apenas ao PL, mas também reforça a presença feminina que Pazolini adotou nas duas eleições anteriores, quando também teve vices mulheres. A concessão ao aliado e a conveniência própria, nesse ponto, coincidem.

Cabe lembrar, nesse ponto, que candidatos alinhados à direita bolsonarista encontram maiores dificuldades justamente no eleitorado feminino - dificuldades estas que uma vice pode vir a mitigar.

O teste que ficou mais difícil

Ainda assim, o saldo do dia aprofundou o desafio que a análise anterior já apontava. Pazolini precisava ser bolsonarista o bastante para herdar o espólio do PL e moderado o suficiente para não perder o centro que decide as eleições capixabas.

A escolha da vice resolveu a primeira metade da equação e complicou a segunda.

A aposta tem lógica, pois o histórico das duas últimas eleições estaduais leva a crer que o PL traz competitividade à chapa. E a segurança pública, pauta que os dois componentes agregam, tem apelo real no eleitorado.

Mas o preço já cai na conta: dois aliados debandaram e o comando de campanha está nas mãos de Magno Malta, reforçando uma imagem da chapa que se distancia do centro moderado que elegeu Renato Casagrande (PSB) a governador de um estado que deu maioria a Bolsonaro para presidente, em ambas as ocasiões.

A neutralidade que elegeu Pazolini na capital ficou definitivamente para trás. O ex-prefeito montou uma chapa com pés fincados à direita e terá de provar que ainda alcança o centro.

A resposta veio pela direita. Resta saber se, desse lado, haverá votos suficientes para chegar ao Palácio Anchieta.